Um gol de Pelé; uma vitória, veloz, de Usain Bolt ou de Lewis Hamilton; uma bela tacada de Tiger Woods; uma verdadeira enterrada de Michael Jordan. Quem nunca se admirou com algum destes feitos? Embora pareçam momentos que fariam, para sempre, parte da memória histórica da população, ainda se vê desprezo por atletas, que além da qualidade esportiva, são taxados pela cor da pele.
No Brasil, um país que passou por um forte regime de escravidão negra, poucos são os atletas negros que são reconhecidos e, ainda menor, o número de atletas negros em esportes tidos como elitistas. No Brasil, um exemplo é o de Rogério Clementino, primeiro cavaleiro negro do hipismo, da história, na seleção brasileira. Clementino participou das Olimpíadas de Pequim, 2008.
A questão dos esportes tidos como elitistas, começou a ser debatida e difundida, o que formou uma nova geração de negros disputando tais esportes, mas pelo alto preço dos requerido para treinamentos de alguns deles, que a manutenção dos aparelhamentos de treino torna algumas atividades utopias para parte da população brasileira. De acordo com o IBGE, o rendimento médio dos brancos é superior ao dobro que os negros e pardos recebem. Em Salvador, BA, por exemplo, os rendimentos habituais da população branca teve média de quase três vezes mais as tidas pela população negra, 1.749,9 R$ e 644,91 R$, respectivamente. A média foi medida, e mantida, de 2002 a 2006, sendo que a média no país ficou cerca de 50% de rendimentos da população negra em comparação às brancas e, em nenhum dos estados pesquisados, os rendimentos dos negros superou as dos brancos. - ( Dados: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=737 )
O investimento não é e nunca foi o único problema. Por muito tempo, a influencia de poucos, por exemplo a do pesquisador CINTRA FILHO, fez acreditar em uma tal diferença genética que potencializara as técnicas dos negros no atletismo e reduzira as chances, destes, de despontar em atividades aquáticas, por exemplo. Em estudos realizados com negros de Camarões, Senegal, Zaire, Costa Ivory e Burundi, conclui que “os negros africanos são, em média, bem dotados para provas de alta intensidade e curta duração com respeito àscaracterísticas enzimáticas” . - ( Dados: http://www.revistamineiraefi.ufv.br/artigos/arquivos/caa58aa401e2baf2228e124db29db3ab.pdf )
Depois disso, o mito genético já causou muitas vitimas morais. Uma delas foi “o inglês Lewis Hamilton, que, no Grande Prêmio do Brasil, em 2007, foi chamado pela repórter da Rede Globo, Mariana Becker, como “inglesinho com jeito de jogador de futebol”, marcando o estereótipo do primeiro negro a ser campeão em um esporte que gasta em média 300 milhões de euros por ano. O sistema capitalista, talvez, seja um culpado pela debilidade no fomento do esporte de forma igualitária, gerando mais atletas brancos que negros e assim, generalizando as capacidades técnicas do ser humano pela cor da pele. - ( Dados: http://www.efdeportes.com/efd126/a-participacao-do-atleta-negro-no-esporte.htm - Dados: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quanto-uma-equipe-de-f1-gasta-por-temporada )
Por outro lado, existem os que vencem as dificuldades sociais e não são lembrados. Recentemente, “Edivaldo Valério, primeiro negro a compor a equipe olímpica da natação brasileira e a ganhar uma medalha de bronze nas Olimpíadas de 2000, em Sydney, no revezamento 4x100m livres”, mas quem se importou? Talvez, poucos. - ( Dados: http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/21/materia/226431 )
Em meados de julho deste ano, a Presidenta Dilma, nomeou aquele que, talvez, chegou mais longe em homenagens pelo mundo, no caso, pela capacidade desportiva: Pelé foi intitulado como “Embaixador Honorário” da Copa de 2014. Após o anúncio, o Rei do Futebol se reuniu com o Ministro dos Esportes do Brasil, Orlando Silva, que afirmou que “Pelé significa superação, vitória, é um símbolo importante para o Brasil.” - ( Dados: http://doolharnegro.blogspot.com/2011/07/presidenta-dilma-nomeia-o-rosto-do.html )
Pelé representa uma lição de vida para, no mínimo, os brasileiros. Assim deveria ser, porém, mesmo sendo um país formado por intervenção genética de povos africanos, muitos repudiam o mito das três raças e desprezam os atletas negros nacionais. Para Sergio Buarque, “não há raças biológicas, não poderia haver o ‘encontro’ das raças diferentes, repudiando assim o mito”. O fato é que, independente da genética ou classe social, a sociedade brasileira, em seus últimos três governos, FHC, Lula e Dilma, viu a retificação de políticas públicas de “classificação social”, reforçando a ideia de diferença pela cor da pele - ( Dados: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/sergio-buarque-e-o-mito-das-tres-racas )
Bem, o ideal seria ressaltar aqueles que já fazem parte da história e mostrar que praticar esporte é atividade livre para todos, independente de cor de pele ou questão racial. De acordo com um estudo de Luis Fernando da Silva, “tão flagrante quanto a desigual distribuição da riqueza nesta sociedade é a visível contradição entre seus graus superlativos de exclusão e o mito da possibilidade da ascensão social individual”, assim, para fazer parte da história desportiva do Brasil, o negro, acaba precisando, primeiro, mostrar competência frente aos resíduos das desigualdades sociais, para depois conquistar espaço em novos hall’s de fama. Uma pena, pois o país perde, assim, muitos expoentes por insistir em desclassificar atletas por um sistema meramente comparativo de cor de pele - (Dados: http://www.achegas.net/numero/zero/l_fernando.htm )
*exercício de jornalismo destinado à história do negro no esporte do país.
Everton Lagares
Identifique seu verdadeiro Senhor, reconheça e obedeça o sacrifício. (SELAH)


** A Quadrilha Busca Fé, do Distrito Federal, é a primeira quadrilha Evangélica a disputar uma Liga profissional, neste caso, ela é filiada à Liga Independente de Quadrilha do Distrito Federal e Entorno (LINQDFE). Este ano (2011) a Busca Fé disputa o módulo A. Vivas.